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1º lançamento do Velvet Underground, ‘o disco da banana’, faz 50 anos

  • março 20, 2017.
  • Alex Lacerda / Metro Belo Horizonte

Em um mundo regido pelas leis da tecnologia, que ditam praticamente quase todos os ritmos da vida – desde as situações mais básicas até as grandes mudanças sociais –, é difícil acreditar que a música já tenha tido esse mesmo papel na sociedade. Muito antes das redes sociais, revoluções eram fomentadas e veiculadas pela arte, e nenhum outro campo artístico impulsionou tanta transformação no século 20 como o bom e velho rock’n’roll.

Dentro do cataclismo criativo, inovador e subversivo dos anos 1960 – década fundamental para a história do pop – um disco de vendagem inexpressiva e sonoridade suja e decadente deixou uma marca indelével no rostinho até então pueril do universo musical. Hoje, meio século após seu lançamento, essa obra segue reverenciada como uma das mais influentes da história do rock. O tal disco é “The Velvet Underground & Nico”, trabalho de estreia do cultuado quarteto nova-iorquino Velvet Underground, formado por Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker, com a ajuda da até então desconhecida modelo alemã, transformada em cantora, Nico.

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Lançado em 1967, o “disco da banana”, como é conhecido, é um produto da visão caótica do cantor e compositor Lou Reed, que em contraste com a explosão do verão do amor hippie da época, tratava de temas pouco convencionais em suas letras, declamando e denunciando a imundície do ser humano, a perversão e o submundo das drogas e do sexo na Nova York da época.

Apadrinhado pelo mítico artista plástico Andy Warhol – autor da antológica capa –, o álbum praticamente deu origem ao rock alternativo, semeando uma pluralidade de estilos sonoros desde o punk ao hard rock, passando pela música de vanguarda e pós-rock. A influência da obra é tanta que Brian Eno, ex-músico do Roxy Music e célebre produtor de bandas como Talking Heads e U2, disse em uma entrevista em 1982 que “[‘The Velvet Underground & Nico’] não vendeu mais que 30 mil cópias no seu lançamento, mas todo mundo que comprou esse disco acabou formando uma banda”.

Regido ora por muitos ruídos, ora por uma doçura pungente, o álbum foi um dos primeiros a quebrar a definição convencional do rock’n’roll.  Fundindo ritmos tribais, guitarras distorcidas e viola elétrica, o LP toca em temas picantes e profundos em canções que se tornariam clássicos como “Venus in Furs” (que fala de sado-masoquismo), “Sunday Morning” (sobre paranoia) e “Heroin” (lida com a realidade de um viciado em heroína).

O repertório se completa ainda com a voz soturna de Nico, que dá um sabor único às faixas como “Femme Fatale”, “I’ll Be Your Mirror” e “All Tomorrow’s Parties”. Tudo isso aliado às letras de Lou Reed repletas de alusões poéticas e referências à alta literatura (e com forte influência de autores como Hubert Selby, John Rechy e Nelson Algren). “The Velvet Underground & Nico” consegue realmente se posicionar como um trabalho artístico ambicioso e revolucionário.

Fracasso de vendas nos anos 1960, cinco décadas depois, o disco é celebradíssimo por críticos e músicos, e soa absolutamente novo, ainda hoje. Ao lado de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), dos Beatles e o primeiro álbum do The Doors (“The Doors”, 1967),  “The Velvet Underground & Nico”, sem sombra de dúvida, é um dos registros mais significativos da história da música moderna em geral.

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